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Médica em Construção

Urgências respiratórias e solidão

Não me é desconhecida a posição de doente no hospital. Foram inúmeras as vezes, desde muito cedo, que permaneci naquele edifício enfraquecida pela doença. Apesar de tudo, não pensei que entraria tão cedo num espaço onde, há tão pouco tempo, havia entrado como aprendiz.

Comecei a semana com alguns sintomas respiratórios. Nada muito severo, mas o suficiente para me deixar em casa e com indicação de um PCR. Covid, nem vê-lo. Apesar de todos os cuidados, o meu quadro piorava, e por prevenção decidi fazer uma visita às urgências. Não esperei muito até ser encaminhada da triagem para as Urgências Respiratórias, onde permaneci o resto da estadia.

Como já mencionei, não era a primeira vez que lá entrava; já havia colhido histórias de pacientes naquele local. Sabia que era um local que impunha respeito, que nos relembrava da efemeridade e fragilidade da vida. No entanto, entrar como paciente traz uma carga emocional completamente distinta. Era eu que estava doente, vulnerável, na mão de desconhecidos. Apesar de conhecer a casa, os procedimentos, e os possíveis tratamentos, encontrava-me bastante assustada; levou-me apenas a imaginar o sentimento daqueles que não tinham tal vantagem.

Passaram-se horas e horas, e permanecia sentada num cadeirão, à espera dos resultados das análises que nunca mais chegavam. E a falta de companhia era dolorosa. Já sentia o impulso de me erguer e colher histórias aos meus vizinhos, nem que fosse apenas para me distrair.

No final foi me prescrito um antibiótico pela doutora que, sempre com tato e simpatia, me acompanhou e me explicou cada passo do processo.

Acho que retirei bastante desta experiência. Ensinou-me o que é estar sozinha num internamento, e ensinou-me da fragilidade que tal causa. Uma doença aguda, por muito leve que seja, representa um corte súbito na continuidade da nossa vida, e queremos apenas que alguém nos garanta que tudo voltará ao normal.

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